
Conversamos sobre crowdsourcing com quem manda muito bem no assunto. Marina Miranda está à frente da Mutopo Brasil. Marina possui grande experiência em projetos de produção social, conectando diversos grupos para realização de desafios e engajamentos para clientes diversos. Confira nosso bate-papo.
1. Como iniciou o seu envolvimento com crowdsourcing?
Meu envolvimento com o crowdsourcing começou com o Projeto Teia MG de massificação do uso da Web 2.0 financiado pelo Governo de Minas Gerais. O modelo do projeto previa a formação de uma comunidade de prestadores de serviços de tecnologia pelo Estado de Minas Gerias. Com o andamento do projeto comecei a tomar contato com empresas e iniciativas de crowdsourcing. A partir daí passei a acompanhar cada vez mais o que estava sendo feito no Brasil e no mundo, aplicando alguns dos conceitos e modelos em projetos que estava desenvolvendo, como o próprio projeto Teia MG e o Sustenta 100.
Em 2010 viajei para Nova York para conhecer a Mutopo já que vínhamos mantendo contato e acreditávamos que o Brasil seria uma grande oportunidade de negócios. No começo de 2011 Shaun (Abrahamson, fundador da empresa) e eu acertamos a criação da Mutopo Brasil.
2. Na sua opinião, o crowdsourcing caminha para uma reconfiguração econômica de forma mais inclusiva e interativa?
O crowdsourcing já é uma realidade nos EUA e na Europa, seu modelo de negócio passa agora para a fase de amadurecimento e ampliação do mercado. Essa é uma nova dinâmica de trabalho e prestação de serviços que exige uma legislação moderna e infra-estrutura de comunicação confiável e abrangente. A experiência com o Projeto Teia MG e o Raio SEBRAE me permitem dizer que o Crowdsourcing é um modelo de negócio que tem tudo para dar certo, pois permitirá que as pessoas, de casa ou de uma lan house, tenham acesso a mercados e oportunidades de receita sem sair de suas comunidades. O impacto social da entrada destas pessoas no mercado, antes restrito às grandes cidades, será enorme.
3. Você acredita que de certa forma o reconhecimento de ideias com a prática do crowdsourcing são mais fortes e efetivas?
Uma coisa deve ficar bem clara para aqueles que estão tomando contato com o crowdsourcing agora, não é porque o Crowdsourcing é novo ou uma moda que as idéias tem maior atenção e reconhecimento. É fato que a inteligência coletiva produz melhores soluções em proporção direta à diversidade do grupo de pessoas envolvidas. Ao abrir seus processos de inovação para grupos diversos como fornecedores, clientes, parceiros e etc., as organizações como Tecnisa ou Fiat estão na verdade ouvindo as pessoas que tem interesse, usam seus produtos e tem contribuições importantes para dar. O que o crowdsourcing faz é trazer para dentro da empresa todo o potencial do ecossistema formado em torno de seus produtos.
4. Quais os principais benefícios para as empresas que já ouviram falar do crowdsourcing, porém não fazem ideia do poder inovador desta prática?
Os benefícios são enormes, podem ir desde a simples redução de custos (que é um subuso do crowdsourcing) à geração de novas ideias, ganhos de produtividade, captação de recursos ou qualidade na produção criativa. Tudo depende do modelo adotado. O importante é a empresa entender o que é o crowdsourcing e a abrangência que ele representa antes de iniciar.
5. Você já foi “acusada” de viver no futuro?
Algumas vezes, mas alego inocência sempre, pois tudo que faço é estar conectada com pessoas e projetos de ponta.
Fonte:http://www.3minovacao.com.br/2011/09/15/marina-miranda-conversa-com-o-blog-e-conta-como-e-trabalhar-com-crowdsourcing/
